Pareceu-me algo crispado o trato que mereceram certos assuntos na entrevista a Manuela Ferreira Leite por Mário Crespo. É algo habitual do meu ponto de vista. Acho é que não apresenta novidade e dá alguns tiros no pé. O PSD devia estar a capitalizar do descontentamento gerado pela crise, e a somar piquenas vitórias, consolidaria tudo nas eleições.
Concretizo.
- Tem razão quando diz que as obras para o TGV e o novo aeroporto são faraónicas, tem razão quando diz que os endividamentos inerentes são um fardo pesado para as gerações vindouras, e é fulcral que se veja que isto não equaciona o que temos de identidade europeia. O argumento da insustentabilidade das obras nunca teve uma verdadeira concretização, não é palpável o leque de argumentos até agora levemente dados ao grande público pela oposição do PSD. Mais ainda, os argumentos do governo a favor são tão pouco ou menos sólidos, e o argumento de termos risco de perda dos centros de decisão para nuestros hermanos, é, com todo o respeito, uma baboseira, porque se não tivermos estes equipamentos, então aí sim, piora tudo em prol de Madrid. Acho que o que os dirigentes políticos não se atrevem a admitir em público é que a situação em que têm arrastado o país é tão má, que o case for the business é muito díficil de vender, falíveis que são as especulações subjacentes. Seria correcto adiar, seria certo fazer a seu tempo. Palavras ditas e acta para todas as ocasiões em que se discutisse este assunto. Mas não foi isso que se viu até agora. Sobra dizer que os faraós criaram uma obra que perdurou, apesar da sua civilização ter sido bastante diferente da nossa...
- o Dr. Dias Loureiro, o BPN e o Freeport são evitados e a evitar, com toda a razão; mas que me lembre o Sr. Conselheiro de Estado e ex-Ministro do nosso actual PR nunca foi dirigente de um clube de futebol, portanto a alusão a clubes de futebol foi desajeitada, tanto que pode lembrar algumas pessoas de que no PSD, tal como noutros partidos, temos casos de futebol, nomeadamente outro Loureiro...
- se o PSD perder nas eleições europeias, perde. Não. Não pode ser assim que se responde quando no final se diz que se quer ganhar, e até porque as sondagens trazem todos os cenários dado o descontentamento geral. Mas este não foi um sinal de confiança e confiável. E é incorrecto dizer que se vai debater o país. O que se vai debater é o interesse do país, o que tem que ser avaliado é o peso da Europa no país e o dever incumprido do Governo conta porque hoje mais do que nunca temos a Europa em casa, e as pessoas têm nas Europeias a faculdade de decidir quem querem a preparar as regras de sua casa, e em muitos casos a contrabalançar os governos. Será que alguém vai seguir ou debater convictamente a importância da aceitação do Tratado de Lisboa como marco do federalismo, se não souber que os poderes do Parlamento são alargados ao mesmo tempo que muito passa a um nível ainda mais supra-nacional porque assim se abrem portas a novos contra-poderes institucionais?
A maneira como são apresentadas as decisões dos partidos que se propõem democráticos assusta-me quando não me repugna. O povo é o demo, mas isso é o equivalente grego para dizer que governa a maioria, não quer dizer que tenhamos que temer a percepção do eleitorado. Dentro de alguns partidos, e o PSD é vítima clara, sobrepõe-se o combate político interno. A oposição é uma actividade a par de dirigir o partido, porque é a equipa escolhida que coajuda. Em qualquer actividade, quem não consiga levar a cabo a mesma, torna-se redundante, uma sobra. Espero que não se verifique no final de tanta batalha que MFL foi tão redundante que em inglês se diga que ela por seu pé e escolha was made redundant, ou seja, não quero que venha agora a sobrar para mais ninguém senão e verdadeiramente para o governo.
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