Tuesday, April 21, 2009

Eleições europeias - Contra pois claro

O debate do Prós e Contras de ontem, foi considerado pela RTP como importante. Deram-lhe a honra de ser transmitido em directo na RTPi. Nem o debate sobre o Cristiano Ronaldo teve tal mimo.
Por outro lado, o que sobressai deste debate é uma pobreza de espírito dos putativos eurodeputados que me horribilizou. Não concordam ilustres companheiros do meu partido, mas o caso parece autorizar-me mais a mim do que a eles.
Pelo que vi ontem, acho que se estiver bom tempo na praia e na serra, a abstenção vai bater todos os recordes, para lá dos 71% ditos hoje: com as autárquicas e as legislativas tão próximas, muita gente vai pensar que vai votar contra o governo quando a coisa mais doi, e agora, não lhes interessa e vão mas é à vidinha deles. O debate que dará a vitória à oposição não deve ser contra o Governo, deve ser sim também contra o Governo. Especialmente num momento em que a crise ainda se imiscui nos assuntos de governação interna com uma ferocidade que quase não permite dissociar o que depende de Portugal do que depende da UE. Se um marciano aterrasse na UE agora, e ouvisse os ministros das finanças a comentar a crise, certamente diria que isto é uma federação de estados. Pelo menos no sentido marciano de federalismo deve ser, com todo o remeter de culpas enquanto escusa.
Pessoalmente, considerei o debate do Prós e Contras paupérrimo. Claro que alguns até acharam que o Paulo Rangel esteve bem. Espero que o Sr. seja melhor que ontem em todos os restantes momentos de campanha. Todos. Era bom que soubesse que pode elevar a moral, o nível e as estatísticas ao fazer um exercício simples - oponha-se frontalmente, destemido, mas com classe, sustente-se a si próprio porque sabe e naquilo que sabe, avance sem hesitações. Um livrinho de auto-educação para a estima própria, e um olhar mais atento aos factos, sem preconceitos, para refutar afirmações levianas como o facto de ter tido vice-presidentes contra. Então, ninguém faria nada em democracia, porque não apenas as vitórias absolutas confeririam legitimidade. Esteve muito bem quando mencionou que o PS teria problemas com este cabeça de lista, mas de resto pouco aproveitou. Podia ter virado tudo contra Vital Moreira, e sem ter atacado directamente o Governo podia tê-lo apanhado mais vezes, e acabava inevitavelmente por cercar o Governo.
Aquele programa é o Cluedo jogado pelas senhoras do Bulhão! O silêncio de um significa o desespero do outro, mas se houver algum dos dois a falar e acertar no erro que o outro esconde, convence logo ali o eleitorado.
Foi uma oportunidade desperdiçada ontem, porque o debate esteve vazio de ideias, com pouco conteúdo em debate, estavam todos muito brandos ainda, porque a campanha está por arrancar. O PSD não tem coisa nenhuma que temer. E quem mostrasse mangas arregaçadas mas um tom polido, tinha uma primeira prova para gerar empatia com o eleitorado. O PS levou os pauliteiros todos, para fazer a claque. Tanta coisa contra... mal aproveitada!
Mantiveram o bico calado, ou a boca aberta para se atascarem, excepto Melo e Portas. Os outros, parecem uma verdadeira cambada, com a agravante de que a Ilda Figueiredo não depende destes debates para ganhar votos. Já se vê quem sai a perder.
Portanto, é necessário olhar para o lado, para confirmar se é certo o caminho que seguimos. Por outro lado, os burros, com palas nos olhos, também fazem o seu caminho.

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