Thursday, April 30, 2009

Redundância e Crespação

Pareceu-me algo crispado o trato que mereceram certos assuntos na entrevista a Manuela Ferreira Leite por Mário Crespo. É algo habitual do meu ponto de vista. Acho é que não apresenta novidade e dá alguns tiros no pé. O PSD devia estar a capitalizar do descontentamento gerado pela crise, e a somar piquenas vitórias, consolidaria tudo nas eleições.
Concretizo.
- Tem razão quando diz que as obras para o TGV e o novo aeroporto são faraónicas, tem razão quando diz que os endividamentos inerentes são um fardo pesado para as gerações vindouras, e é fulcral que se veja que isto não equaciona o que temos de identidade europeia. O argumento da insustentabilidade das obras nunca teve uma verdadeira concretização, não é palpável o leque de argumentos até agora levemente dados ao grande público pela oposição do PSD. Mais ainda, os argumentos do governo a favor são tão pouco ou menos sólidos, e o argumento de termos risco de perda dos centros de decisão para nuestros hermanos, é, com todo o respeito, uma baboseira, porque se não tivermos estes equipamentos, então aí sim, piora tudo em prol de Madrid. Acho que o que os dirigentes políticos não se atrevem a admitir em público é que a situação em que têm arrastado o país é tão má, que o case for the business é muito díficil de vender, falíveis que são as especulações subjacentes. Seria correcto adiar, seria certo fazer a seu tempo. Palavras ditas e acta para todas as ocasiões em que se discutisse este assunto. Mas não foi isso que se viu até agora. Sobra dizer que os faraós criaram uma obra que perdurou, apesar da sua civilização ter sido bastante diferente da nossa...
- o Dr. Dias Loureiro, o BPN e o Freeport são evitados e a evitar, com toda a razão; mas que me lembre o Sr. Conselheiro de Estado e ex-Ministro do nosso actual PR nunca foi dirigente de um clube de futebol, portanto a alusão a clubes de futebol foi desajeitada, tanto que pode lembrar algumas pessoas de que no PSD, tal como noutros partidos, temos casos de futebol, nomeadamente outro Loureiro...
- se o PSD perder nas eleições europeias, perde. Não. Não pode ser assim que se responde quando no final se diz que se quer ganhar, e até porque as sondagens trazem todos os cenários dado o descontentamento geral. Mas este não foi um sinal de confiança e confiável. E é incorrecto dizer que se vai debater o país. O que se vai debater é o interesse do país, o que tem que ser avaliado é o peso da Europa no país e o dever incumprido do Governo conta porque hoje mais do que nunca temos a Europa em casa, e as pessoas têm nas Europeias a faculdade de decidir quem querem a preparar as regras de sua casa, e em muitos casos a contrabalançar os governos. Será que alguém vai seguir ou debater convictamente a importância da aceitação do Tratado de Lisboa como marco do federalismo, se não souber que os poderes do Parlamento são alargados ao mesmo tempo que muito passa a um nível ainda mais supra-nacional porque assim se abrem portas a novos contra-poderes institucionais?
A maneira como são apresentadas as decisões dos partidos que se propõem democráticos assusta-me quando não me repugna. O povo é o demo, mas isso é o equivalente grego para dizer que governa a maioria, não quer dizer que tenhamos que temer a percepção do eleitorado. Dentro de alguns partidos, e o PSD é vítima clara, sobrepõe-se o combate político interno. A oposição é uma actividade a par de dirigir o partido, porque é a equipa escolhida que coajuda. Em qualquer actividade, quem não consiga levar a cabo a mesma, torna-se redundante, uma sobra. Espero que não se verifique no final de tanta batalha que MFL foi tão redundante que em inglês se diga que ela por seu pé e escolha was made redundant, ou seja, não quero que venha agora a sobrar para mais ninguém senão e verdadeiramente para o governo.

Tuesday, April 28, 2009

A influência dos porcos




Acho que a gripe (influenza) suína anda por todo o mundo. Pelo menos, a Organização Mundial de Saúde diz que sim.




Por via das dúvidas, e atendendo às notícias, aconselho vivamente a não apertarem a mão a estes dois senhores. E dizem os peritos, que este pode ser um episódio que poderá implicar um retrocesso na fragílissima recuperação da economia mundial.
Vão para o México beber tequillas e dançar com as malucas do spring break, e agora descobrimos mais um fetiche, essa é que deve ser a verdadeira razão. Ou como é que os porcos iam transmitir um vírus aos humanos?

Tuesday, April 21, 2009

Eleições europeias - Contra pois claro

O debate do Prós e Contras de ontem, foi considerado pela RTP como importante. Deram-lhe a honra de ser transmitido em directo na RTPi. Nem o debate sobre o Cristiano Ronaldo teve tal mimo.
Por outro lado, o que sobressai deste debate é uma pobreza de espírito dos putativos eurodeputados que me horribilizou. Não concordam ilustres companheiros do meu partido, mas o caso parece autorizar-me mais a mim do que a eles.
Pelo que vi ontem, acho que se estiver bom tempo na praia e na serra, a abstenção vai bater todos os recordes, para lá dos 71% ditos hoje: com as autárquicas e as legislativas tão próximas, muita gente vai pensar que vai votar contra o governo quando a coisa mais doi, e agora, não lhes interessa e vão mas é à vidinha deles. O debate que dará a vitória à oposição não deve ser contra o Governo, deve ser sim também contra o Governo. Especialmente num momento em que a crise ainda se imiscui nos assuntos de governação interna com uma ferocidade que quase não permite dissociar o que depende de Portugal do que depende da UE. Se um marciano aterrasse na UE agora, e ouvisse os ministros das finanças a comentar a crise, certamente diria que isto é uma federação de estados. Pelo menos no sentido marciano de federalismo deve ser, com todo o remeter de culpas enquanto escusa.
Pessoalmente, considerei o debate do Prós e Contras paupérrimo. Claro que alguns até acharam que o Paulo Rangel esteve bem. Espero que o Sr. seja melhor que ontem em todos os restantes momentos de campanha. Todos. Era bom que soubesse que pode elevar a moral, o nível e as estatísticas ao fazer um exercício simples - oponha-se frontalmente, destemido, mas com classe, sustente-se a si próprio porque sabe e naquilo que sabe, avance sem hesitações. Um livrinho de auto-educação para a estima própria, e um olhar mais atento aos factos, sem preconceitos, para refutar afirmações levianas como o facto de ter tido vice-presidentes contra. Então, ninguém faria nada em democracia, porque não apenas as vitórias absolutas confeririam legitimidade. Esteve muito bem quando mencionou que o PS teria problemas com este cabeça de lista, mas de resto pouco aproveitou. Podia ter virado tudo contra Vital Moreira, e sem ter atacado directamente o Governo podia tê-lo apanhado mais vezes, e acabava inevitavelmente por cercar o Governo.
Aquele programa é o Cluedo jogado pelas senhoras do Bulhão! O silêncio de um significa o desespero do outro, mas se houver algum dos dois a falar e acertar no erro que o outro esconde, convence logo ali o eleitorado.
Foi uma oportunidade desperdiçada ontem, porque o debate esteve vazio de ideias, com pouco conteúdo em debate, estavam todos muito brandos ainda, porque a campanha está por arrancar. O PSD não tem coisa nenhuma que temer. E quem mostrasse mangas arregaçadas mas um tom polido, tinha uma primeira prova para gerar empatia com o eleitorado. O PS levou os pauliteiros todos, para fazer a claque. Tanta coisa contra... mal aproveitada!
Mantiveram o bico calado, ou a boca aberta para se atascarem, excepto Melo e Portas. Os outros, parecem uma verdadeira cambada, com a agravante de que a Ilda Figueiredo não depende destes debates para ganhar votos. Já se vê quem sai a perder.
Portanto, é necessário olhar para o lado, para confirmar se é certo o caminho que seguimos. Por outro lado, os burros, com palas nos olhos, também fazem o seu caminho.

Nós, Europeus


Deixo-vos menção de um livro em destaque na Waterstones em Bruxelas, de Richard Hill. Coloca-se a dúvida pertinente se não teremos em breve algo de parecido nas livrarias portuguesas, assinado pelo candidato Vital Moreira?

Numa época em que a informação flui com urgência, e nos influencia por vezes sub-repticiamente, lá disse o Fukuyama que a história acabou. Por vezes somos apanhados em desconhecimento total, mas é sempre mais um caso curioso. E veremos como acaba esta história
Longe de mim pensar que houve plágio, muito menos por um título em línguas diferentes, não vou dizer que se configura o caso, mas porque o livro é de 1997 e versa sobre o que versa, parece-me merecer destaque o caso.
Para que não me acusem de ser um perseguidor desenfreado, deixo aqui as referências desta bibliografia:

Date of publication: 28/02/1997
Publisher: Europublic sa/nv
ISBN: 9789074440110

Friday, April 03, 2009

Gratias per enciclica tantricum

Menciono isto, hoje, em ressaca de G20, enquanto muitas alminhas alinham em Estrasburgo contra a NATO/OTAN. Desse caso darei conta outro dia, porque este já vem na minha mente desde o meu dia de anos, portanto, toda uma semana.
Para os inadvertidos, sou católico, crente. Sou contestatário da Igreja e da postura com que os consílios e o Vaticano assumiram essa soberba que se alicerça na história e na tradição, professo a fé, e pratico a moral quotidianamente. Dói-me ver a mendicidade em toda e qualquer rua deste mundo. Aflige-me a pobreza, a material e a espiritual. Tortura-me essa violenta maneira de estarmos na sociedade moderna em que ignoramos todos os sinais dos aflitos e passamos imperturbáveis por todas e tantas carências, de mão estendida e olhar remelado, esbugalhado e silencioso no seu pedido de socorro... qualquer que ele possa ser! E estou demasiado longe de fazer o que poderia mudar este estado de coisas.

Seremos todos mais papistas que o Papa? Então só o Sr. Bispo de Viseu veio manifestar a sua discordância com a solução proposta pelo Vaticano, de que o Papa fez tanta publicidade em África? Da sabedoria de sua Santidade já muito foi dito, mas creio que ainda ninguém ousou dar-lhe uma interpretação moderna. Lá porque este Papa foi nomeado em prol do retrógrado espírito das encíclicas pré-DST não significa que não possamos decifrar as mensagens subliminares no seu discurso. Defende o Santo Padre que a solução para a SIDA não está na utilização de preservativo. Não podia estar mais de acordo. A profilaxia de uma tal doença não pode passar por borrachinhas. E então... está antes num despertar humano e espiritual. Concluo portanto, em modernice que me assola o cérebro, quiçá fortemente perturbado por libertinagem libidinosa, dolosa, e até agora nunca dolorosa - o que se lê nas entrelinhas é uma referência ao sexo tântrico, mas em código canónico. Seremos humanos, teremos o prazer de nos entregar ao próximo, em práticas que pela endorfina ou a garraiada hormonal que sempre provocam os momentos pornográficos nos faz escolher parceiros com quem nos sintamos bem. Pergunto ainda, quem não atinge toda essa espiritualidade como fará para se prevenir? Quem não logra conhecer uma verdadeira cara metade em quem possa confiar, como fará para evitar uma tal doença? Dos fracos recursos que existem para combater a propagação desta doença, creio que deixarmos a mensagem de que não se deve usar o preservativo é uma dízima demasiado cara. Ainda que a motivação seja pecaminosa, acho que a imagem de Deus castigador foi deixada faz tempo. Non habemus coerência neste caso!