Wednesday, July 16, 2008

O trauliteiro de Paris

Em Miranda, temos os pauliteiros. Em Paris, temos Nicolas Sarkozy.
Durante a sua entrevista conjunta dada às televisões francesas o comentário na sala era que estávamos a assistir a uma ronfenha discussão febril e "tabernil". A questão mal colocada por Patrick PVA fez com que a sua carreira terminasse ali. Dizia M. le Président que se não fosse ele a fazer coisas na cena internacional, Sinon moi, qui d'autre? Acho que o equivalente histórico é L'État, c'est moi! (perdoem-me a falta de rigor)
Olhei para a aproximação da Presidência Francesa da UE com alguma desconfiaça. Acho que o mais rude golpe foi de facto o Não irlandês. Alterou a agenda em último minuto, obrigou as pretensões de uma grande marca no futuro institucional da UE serem prováveis. Por via das dúvidas digo-o também: Kouchner, Sarkozy & ses amis, ont bien fait pour le malfait. Não se espera que arrogâncias e ultimatos colham frutos docinhos como mel.

Contra muita expectativa, e contra muitos interesses, a União para o Mediterrâneo avançou, com a cimeira em Paris nos dias 13 e 14 de Julho. Sem dúvida, alimentar as relações desta área vizinha pode fazer muito pela UE. Foi bom o avanço, e foi bom porque houve quem, como Merkel, viesse temperar le grand filet-mignon. E agora, veremos se depois das lumières étaints teremos le soleil au sud.

Só que os elogios não cabem entre orelhas de certas gentes, só boinas, leia-se barretes. E hoje leio no Le Monde que já há nova pressão dirigida aos irlandeses, até se antecipam datas para o novo referendo. E agora vou citar uma asneira que não é palavrão, mas é um sério e intencionado insulto: data provável do referendo é o dia das eleições europeias. Pode ser que assim se consiga dar aquele tom francês à agenda institucional europeia. Pode ser que assim as pretensões de protagonimo não saiam goradas. Pode ser que assim o trauliteiro dê uma irremediável "paulada" na construção europeia e no TLxa. Para se ser pauleteiro tem que se saber a coreografia. O trauliteiro, saberá trautear ao tom de Beethoven, ou a Marseilleise enche os ouvidos e extravasa o ego?!