Thursday, June 18, 2009
A mula da cooperativa
Wednesday, June 17, 2009

- Afinal quanto é que nós recebemos se um dia ficarmos sem emprego?
- Sem emprego?!
- Sim, disseram-me que só temos direito a 60% do salário...
- Mas tu estás com medo de perder o teu emprego agora?
- Não, mas já estou a pensar na reforma !
Passadas que foram 2 ou 3 horas...
- Vamos lá voltar a coisas sérias...
- Coisas sérias agora?
- Sim, ainda não esclarecemos isso da reforma! Ainda estou cá preocupada.
E que pensamos nós de voltar para Portugal?
- Às vezes tenho cá umas saudades...
- Eu sei lá, devia voltar agora e pronto!
- Pois, mas à noite falas com os amigos e esqueces logo o que decidiste na praia à tarde!
Wednesday, June 10, 2009
As pérolas de MFL
Na campanha para o PE, o agitar das águas foi tão ténue, que entre almoços e jantares, alguém se esqueceu de partir para um verdadeiro combate pelo lugar do país na UE.
Quando Vital Moreira foi mostrar empresas como a Aquinos, para celebrar a existência de casos de sucesso no nosso país, eu quase caía para o lado. Será que eu fui a única pessoa que se lembrou que este caso pode ser uma celebração da castração do nosso tecido empresarial?! Especulo, mas vejamos este caso: a IKEA celebra tendencialmente contratos leoninos para produção de mobiliário de média e baixa gama. As reduções das margens de lucro poderão prevenir a aplicação de fundos em investigação & desenvolvimento. Por fim, mantem-se o emprego, mas torna-se esse trabalho muito volátil porque em época de concorrência com potências produtivas semi-desprovidas de escrúpulos, arrisca-se o empresário português a perder a sua capacidade de atracção ou retenção da produção a médio e longo prazo, contabilizados custos, por exemplo, obrigações de regalias sociais, ou imposições industriais de segurança do trabalho e do produto que oneram inexoravelmente, ainda que sejam conquistas modernas que devemos acarinhar. Celebrou-se uma potencial perda que só serve por agora! Os recursos a quem se devia conferir maior capacidade vão perder-se se não os dotarmos de capacidades técnicas acrescidas. Sempre o dilema de obter o know-how!
Com obras faraónicas não se aumenta necessariamente a competitividade de um país. Vias de comunicação são equipamentos, que ou são necessários, ou então são despesismo. Já educação, nos dias do paradigma mundial do conhecimento e mais-valia técnica, poderiam colocar a nossa produção e mão de obra em patamares diferentes. E isso sim, são condições essenciais para promovermos a nossa economia, que temos vindo a hipotecar. Os partidos que continuarem a ignorar essa realidade ou padecem de cegueira crónica (não se pode dizer autista), ou merecem que o eleitor lhes vede o caminho!
Em Portugal reina uma confusão ideológica que subsiste não apenas por falta de esclarecimento do eleitorado, mas também por adequação deste à desinformação. Muito resulta da acção partidária, mas o eleitorado devia reagir de maneira distinta na urna. Este foi um jogo perigoso, especialmente para o PSD, que vinha a fazer uma corrida longa em busca da credibilidade junto do eleitorado, e agora terá que mostrar uma endurance sem prazo para abrandar. Mas as pérolas de Manuela, apesar de mais relevantes, ainda não reluzem como diamantes aos olhos do povo...
A oposição saíu, não reforçada, mas com argumentos reforçados. E isso conta tudo, especialmente para o PSD e o PP. O PSD vê Manuela Ferreira Leite com outros olhos, e o PP afinal não morreu. Já a viragem à esquerda, só espantaria se assim não fosse. Então onde ficava a crise como arma eleitoral? Mesmo assim, o grupo PPE ganhou muito do mapa europeu...
Friday, June 05, 2009
O bicho carpinteiro
Porém, o que me parece que saíu melhor que a encomenda nesta campanha, foi a tarefa de que se encarregaram Mário Soares e Ana Gomes. Para denegrirem Durão Barroso, estas duas figuras de cúpula do PS nunca se põem de fora. Do que se esquecem é que ao fazê-lo andam sempre a maltratar o nome do país! Pode ser um argumento duro de engolir, mas não nos esqueçamos que termos um português colocado no lugar de Presidente da CE é por si só uma mais-valia para todos os portugueses. Somos vistos como intelectualmente capazes e, a despeito de Mário Soares, Durão é considerado como políticamente hábil. Sobram dúvidas sobre se Durão Barroso se terá vergado aos interesses dos grandes países no Conselho. Temos que distinguir que não é o mesmo deixar morrer um assunto porque ele é inconveniente a um qualquer país e outra coisa é colocar de lado uma hipótese que sabemos antecipar que não passará facilmente ou de todo! E vêm juntar-se a figuras como Poul Nyroup Rasmussen para quê? Que dividendos colherão da ascensão desta figura tão trauliteira quanto exagerada nos seus ataques incessantes a Barroso? Pior desde que um outro Rasmussen obteve um belo lugar num cargo de prestígio como o de Secretário-Geral da OTAN. Temo que estejam por sarar feridas no orgulho, como o caso de Mário Soares que queria acima de ex-Presidente de um país, ter sido também um Presidente na História da Europa.
A abstenção é também outro caruncho. Aflige-me que o eleitorado não veja que votar não é dever de cidadania, é poder de democracia! Por questões de cálculo da proporcionalidade, a abstenção, a votação em branco ou nula dão força aos partidos que obtiverem mais votos expressos no sufrágio. E isso nunca será o desejo de um eleitor despeitado e desafectado do panorama do sufrágio em causa. Por outro lado, se estivermos contra os partidos, os projectos que apresentam, as listas que propõem, então temos que nos manifestar, e manifestar sem remediar pressupõe um voto. Em branco ou nulo, mas votar! Se em lugar de termos acima de 80% de abstenção tivéssemos cerca de 40% de votos em branco ou até nulos, acreditem que os partidos iam obrigar-se a rever rapidamente tudo o que os relaciona com o eleitorado! A falta de legitimidade num caso e noutro é completamente diferente. Não há tanto lugar para dúvida de que as pessoas não vieram mas concordavam! A indiferença não é a mesma coisa que o repúdio. O cidadão responsável enquanto eleitor pode repudiar, enquanto turista é um indiferente.