Thursday, June 18, 2009

A mula da cooperativa

Em sede de integração europeia, muito se menciona a falta de uma só voz, e para dotar a UE dessa voz, defende-se também a criação de um exército digno. José Cutileiro escreveu na sua crónica do Expresso do fim de semana passado que "Os europeus criaram na União uma espécie de cooperativa fortíssima que promove os seus interesses morais e materiais e é insubstituível. [_] Mas em tempo de guerra - e a guerra virá um dia - não é defensável porque os corações nacionais se aninharam no pacifismo. Salvo honrosas excepções os orçamentos militares andam há anos abaixo do mínimo necessário à segurança das nações."
Pode deduzir-se desta afirmação que a fragilidade militar da UE continua a ser um obstáculo na sua construção, deixa-a dependente dos EUA e da OTAN e o processo de integração será sempre ameaçado enquanto a União como um todo não admitir que não é por estar militarizada que é promotora de guerra nem que emite nenhum sinal de verdadeira federação de estados. As premissas conformadoras deste olhar recorrente são inevitáveis, mas não são desculpa para impedir que a UE se equipe deste garante da paz e respeito pela soberania dos seus próprios Estados (pelo menos para já). Enquanto isto não acontecer, o modelo europeu continuará a ser coxo... As coisas arrastar-se-ão, porque como diz Cutileiro (por outras palavras) na UE temos muitas mulas teimosas, que não conseguem seguir outro caminho. E como temos que contar com todos...

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