Na campanha para o PE, o agitar das águas foi tão ténue, que entre almoços e jantares, alguém se esqueceu de partir para um verdadeiro combate pelo lugar do país na UE.
Quando Vital Moreira foi mostrar empresas como a Aquinos, para celebrar a existência de casos de sucesso no nosso país, eu quase caía para o lado. Será que eu fui a única pessoa que se lembrou que este caso pode ser uma celebração da castração do nosso tecido empresarial?! Especulo, mas vejamos este caso: a IKEA celebra tendencialmente contratos leoninos para produção de mobiliário de média e baixa gama. As reduções das margens de lucro poderão prevenir a aplicação de fundos em investigação & desenvolvimento. Por fim, mantem-se o emprego, mas torna-se esse trabalho muito volátil porque em época de concorrência com potências produtivas semi-desprovidas de escrúpulos, arrisca-se o empresário português a perder a sua capacidade de atracção ou retenção da produção a médio e longo prazo, contabilizados custos, por exemplo, obrigações de regalias sociais, ou imposições industriais de segurança do trabalho e do produto que oneram inexoravelmente, ainda que sejam conquistas modernas que devemos acarinhar. Celebrou-se uma potencial perda que só serve por agora! Os recursos a quem se devia conferir maior capacidade vão perder-se se não os dotarmos de capacidades técnicas acrescidas. Sempre o dilema de obter o know-how!
Com obras faraónicas não se aumenta necessariamente a competitividade de um país. Vias de comunicação são equipamentos, que ou são necessários, ou então são despesismo. Já educação, nos dias do paradigma mundial do conhecimento e mais-valia técnica, poderiam colocar a nossa produção e mão de obra em patamares diferentes. E isso sim, são condições essenciais para promovermos a nossa economia, que temos vindo a hipotecar. Os partidos que continuarem a ignorar essa realidade ou padecem de cegueira crónica (não se pode dizer autista), ou merecem que o eleitor lhes vede o caminho!
Em Portugal reina uma confusão ideológica que subsiste não apenas por falta de esclarecimento do eleitorado, mas também por adequação deste à desinformação. Muito resulta da acção partidária, mas o eleitorado devia reagir de maneira distinta na urna. Este foi um jogo perigoso, especialmente para o PSD, que vinha a fazer uma corrida longa em busca da credibilidade junto do eleitorado, e agora terá que mostrar uma endurance sem prazo para abrandar. Mas as pérolas de Manuela, apesar de mais relevantes, ainda não reluzem como diamantes aos olhos do povo...
A oposição saíu, não reforçada, mas com argumentos reforçados. E isso conta tudo, especialmente para o PSD e o PP. O PSD vê Manuela Ferreira Leite com outros olhos, e o PP afinal não morreu. Já a viragem à esquerda, só espantaria se assim não fosse. Então onde ficava a crise como arma eleitoral? Mesmo assim, o grupo PPE ganhou muito do mapa europeu...
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