Friday, April 03, 2009

Gratias per enciclica tantricum

Menciono isto, hoje, em ressaca de G20, enquanto muitas alminhas alinham em Estrasburgo contra a NATO/OTAN. Desse caso darei conta outro dia, porque este já vem na minha mente desde o meu dia de anos, portanto, toda uma semana.
Para os inadvertidos, sou católico, crente. Sou contestatário da Igreja e da postura com que os consílios e o Vaticano assumiram essa soberba que se alicerça na história e na tradição, professo a fé, e pratico a moral quotidianamente. Dói-me ver a mendicidade em toda e qualquer rua deste mundo. Aflige-me a pobreza, a material e a espiritual. Tortura-me essa violenta maneira de estarmos na sociedade moderna em que ignoramos todos os sinais dos aflitos e passamos imperturbáveis por todas e tantas carências, de mão estendida e olhar remelado, esbugalhado e silencioso no seu pedido de socorro... qualquer que ele possa ser! E estou demasiado longe de fazer o que poderia mudar este estado de coisas.

Seremos todos mais papistas que o Papa? Então só o Sr. Bispo de Viseu veio manifestar a sua discordância com a solução proposta pelo Vaticano, de que o Papa fez tanta publicidade em África? Da sabedoria de sua Santidade já muito foi dito, mas creio que ainda ninguém ousou dar-lhe uma interpretação moderna. Lá porque este Papa foi nomeado em prol do retrógrado espírito das encíclicas pré-DST não significa que não possamos decifrar as mensagens subliminares no seu discurso. Defende o Santo Padre que a solução para a SIDA não está na utilização de preservativo. Não podia estar mais de acordo. A profilaxia de uma tal doença não pode passar por borrachinhas. E então... está antes num despertar humano e espiritual. Concluo portanto, em modernice que me assola o cérebro, quiçá fortemente perturbado por libertinagem libidinosa, dolosa, e até agora nunca dolorosa - o que se lê nas entrelinhas é uma referência ao sexo tântrico, mas em código canónico. Seremos humanos, teremos o prazer de nos entregar ao próximo, em práticas que pela endorfina ou a garraiada hormonal que sempre provocam os momentos pornográficos nos faz escolher parceiros com quem nos sintamos bem. Pergunto ainda, quem não atinge toda essa espiritualidade como fará para se prevenir? Quem não logra conhecer uma verdadeira cara metade em quem possa confiar, como fará para evitar uma tal doença? Dos fracos recursos que existem para combater a propagação desta doença, creio que deixarmos a mensagem de que não se deve usar o preservativo é uma dízima demasiado cara. Ainda que a motivação seja pecaminosa, acho que a imagem de Deus castigador foi deixada faz tempo. Non habemus coerência neste caso!

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