O desenrolar do caso Maddie ultrapassou muitas fronteiras, físicas e psicológicas e apaixonou muitos. Desde sempre os pais da criança desaparecida conseguiram atrair muita atenção para um caso quiçá demasiado comentado, e o público foi acatando um abuso da situação. O fôlego dado à notícia foi um combustível que alimentou a polémica e levou os pais a processar um jornal que se limitou a noticiar, tal como muitas outras notícias, declarações da polícia.
Muito se falou, mas as certezas são sempre refutáveis. Foi a avidez e a especulação que conduziu à situação actual: os pais estavam ávidos de atenção e pediram-na ao público, e os media desejosos de veicular a notícia. É natural que uma mensagem bem transmitida chegue sempre ao seu receptor, mas sobra a questão: será que todos nós podemos descobrir onde está a Maddie? Por momentos fomos quase impelidos a sentir a dor da falta da Maddie, tal era a exposição dada pelos media. Talvez fosse demasiado protagonismo, talvez todo o descontrolo e pedidos de ajuda se tenham tornado despropositados e contraproducentes. As televisões, jornais e rádios foram todos acolhidos no seio de uma família desfeita que quis chorar em público e tentou que o público chorasse com ela. As intenções e motivações porém não são do foro público, e pelo que indicam as recentes reacções dos pais, demasiado foi público.Num momento em que tudo é pretérito, à excepção da dúvida sobre o paradeiro da Maddie, todas as partes tentam sacudir a dúvida. Tudo é uma aparência, uma família que parece nunca voltar a ser a mesma, polícias que não conseguem alcançar verdadeiras pistas que conduzam ao paradeiro de uma criança que em parangonas diferentes do mesmo dia está morta ou foi raptada e entretanto mantida num endereço remoto. Infelizmente muitos mais casos de crianças desaparecidas existem, mas Maddie tornou-se notícia pela forma demarcada com que os pais prescindiram das esferas privada e íntima da família. Este caso não é um mero desaparecimento de uma criança. O mediatismo de grandes dimensões que o casal gerou à volta da família por fim quase que a sufoca e releva a sua dor, porque o monstro se virou contra o criador. O arrependimento conduziu ao desespero e o casal processou um jornal, que na rama da aparência duvida da sua plena inocência neste caso. No primeiro momento de desespero, o mesmo procedimento aconteceu a convite dos pais. Provavelmente o Tal & Qual não queria difamar ninguém, a notícia era rotina na dança dos pais com os media, passos que intoxicaram e contaminaram a eficácia da acção policial e do próprio veículo utilizado pelos pais na busca de uma solução para o caso. Disso os pais são culpados, do descrédito dos media. O demérito das notícias e especulações serão uma herança difícil de apagar, casos idênticos vão muito provavelmente sofrer com a desconfiança criada e a apatia que se poderá manifestar perante situações similares. No momento do balanço apenas resta o essencial: onde está a Maddie, esta e todas as Maddies? As famílias são devastadas, a opinião pública na sua compaixão gosta de seguir estes casos, é um reflexo humano. Neste caso todos perdemos, não só a família, porque dificilmente se procederá a um razoável juízo dos factos, não só a investigação, contaminada pela proliferação do ruído gerado em torno do caso. A perturbação poderá ter inquinado o futuro, o da Maddie e dos outros nomes que desconhecemos mas infelizmente sabemos que existem. Decerto os pais não queriam este efeito nefasto. A dúvida ainda não sucumbiu, mas infelizmente fica esta memória.
Muito se falou, mas as certezas são sempre refutáveis. Foi a avidez e a especulação que conduziu à situação actual: os pais estavam ávidos de atenção e pediram-na ao público, e os media desejosos de veicular a notícia. É natural que uma mensagem bem transmitida chegue sempre ao seu receptor, mas sobra a questão: será que todos nós podemos descobrir onde está a Maddie? Por momentos fomos quase impelidos a sentir a dor da falta da Maddie, tal era a exposição dada pelos media. Talvez fosse demasiado protagonismo, talvez todo o descontrolo e pedidos de ajuda se tenham tornado despropositados e contraproducentes. As televisões, jornais e rádios foram todos acolhidos no seio de uma família desfeita que quis chorar em público e tentou que o público chorasse com ela. As intenções e motivações porém não são do foro público, e pelo que indicam as recentes reacções dos pais, demasiado foi público.Num momento em que tudo é pretérito, à excepção da dúvida sobre o paradeiro da Maddie, todas as partes tentam sacudir a dúvida. Tudo é uma aparência, uma família que parece nunca voltar a ser a mesma, polícias que não conseguem alcançar verdadeiras pistas que conduzam ao paradeiro de uma criança que em parangonas diferentes do mesmo dia está morta ou foi raptada e entretanto mantida num endereço remoto. Infelizmente muitos mais casos de crianças desaparecidas existem, mas Maddie tornou-se notícia pela forma demarcada com que os pais prescindiram das esferas privada e íntima da família. Este caso não é um mero desaparecimento de uma criança. O mediatismo de grandes dimensões que o casal gerou à volta da família por fim quase que a sufoca e releva a sua dor, porque o monstro se virou contra o criador. O arrependimento conduziu ao desespero e o casal processou um jornal, que na rama da aparência duvida da sua plena inocência neste caso. No primeiro momento de desespero, o mesmo procedimento aconteceu a convite dos pais. Provavelmente o Tal & Qual não queria difamar ninguém, a notícia era rotina na dança dos pais com os media, passos que intoxicaram e contaminaram a eficácia da acção policial e do próprio veículo utilizado pelos pais na busca de uma solução para o caso. Disso os pais são culpados, do descrédito dos media. O demérito das notícias e especulações serão uma herança difícil de apagar, casos idênticos vão muito provavelmente sofrer com a desconfiança criada e a apatia que se poderá manifestar perante situações similares. No momento do balanço apenas resta o essencial: onde está a Maddie, esta e todas as Maddies? As famílias são devastadas, a opinião pública na sua compaixão gosta de seguir estes casos, é um reflexo humano. Neste caso todos perdemos, não só a família, porque dificilmente se procederá a um razoável juízo dos factos, não só a investigação, contaminada pela proliferação do ruído gerado em torno do caso. A perturbação poderá ter inquinado o futuro, o da Maddie e dos outros nomes que desconhecemos mas infelizmente sabemos que existem. Decerto os pais não queriam este efeito nefasto. A dúvida ainda não sucumbiu, mas infelizmente fica esta memória.
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