Tuesday, February 17, 2009

Uma crise, sectorial ou nacional q.b.




Li a entrevista da Visão (12/Fev/09) a António Bernardo, português e World Managing partner da consultora de gestão Roland Berger. Estou iludido quiçá, julguei importante a opinião de um dos senhores mais informados na vida das gestões de empresas, que aconselha da eficiência estratégica em muitos sectores e países, fala de um próspero futuro, se forem tomadas as medidas correctas. Mas a páginas tantas, refere-se à banca como um sector que foi pela sua consultora revolucionado, ao terem implementado uma função de análise dos custos operacionais. Acresce que o modelo para esta eficiência foi inspirado no da indústria automóvel, "um dos sectores mais eficazes". Se a minha memória está bem fresca, não foram precisamente os sectores da banca e da indústria automóvel os que mais dilemas empresariais apresentaram nesta crise? Eis a resposta.
E não se pense que foi só a cópia de modelos de gestão que promoveu o contágio desta crise. Até agora a crise foi selectiva, atingiu fortemente alguns sectores de algum modo poupando outros. O problema do momento é a probabilidade de alastrar-se a crise em virtude dos ciclos negativos gerados. O desemprego é o primeiro sinal de que este perigoso ciclo começou a fazer as suas vítimas. A falta de demanda enfraquecerá o resto... e por aí fora iremos até mais ver.
Durão Barroso passou a mensagem: ou combatemos a crise em conjunto, ou perdemos todos tudo para a crise cada um por si. O que me preocupa é o proteccionismo: após tanta globalização, será que alguém acredita que uma ou a outra economia isolada vencerá a crise? A interdependência e integração gerados pelos modelos agora acusados de excessivamente liberais (outra história) estão longe de ser indesejáveis. Defendo a alteração de muita coisa, mas o modelo anterior tem sido muito válido para a promoção de paz e prosperidade, porque se dependemos de alguém temos necessidade de respeitar esse parceiro. Perdoem-me a ironia, mas vejam o caso da aceitação das imposições vindas da Rússia.

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