
A apropriação de bem alheio, com violência, constitui um ilícito penal. Em atenção à gravidade do acto, é ainda um crime público. Traduzido do jurídico, não carece de participação do lesado, entende-se que é potencialmente lesivo para a sociedade em geral.
Esta é a tipificação do crime de roubo, o que sobejas vezes confundimos com furto, distinto por ser desprovido de violência. E quando há apropriação de bens como os fundos públicos para obras, mas essa prática é feita por detentores de cargos políticos, normalmente a acusação foca-se em peculatos, abusos de poder e de autoridade...
Vem isto a propósito de 3 notícias que para mim constituirão a pedra de toque das eleições que se aproximam:
1- Houve um roubo, violento, em Castelo Branco. Dois homens tentaram assaltar uma ourivesaria. Acabaram por render-se, mas houve um momento em que um deles apenas pediu uma cerveja enquanto, ajoelhado num baldio, decidia se se suicidava ou não. Acabou por beber a cerveja e não se suicidar.
2- Fátima Felgueiras apresentou-se de novo em tribunal, desta feita para se defender de um caso de desvio de fundos. Como o azul foi a côr da moda na campanha passada, o tom para a campanha que se avizinha foi anunciado por um berrante saco lilás. Nada contra, novos trapos...
3- O caso Freeport aparece como mais um daqueles emaranhados em que apelidos e favores nos são bombardeados através de comunicados e comentários proferidos a uma velocidade maior do que Israel acorda e decide bombardear os Palestinianos outra vez.
Para vos ser sincero, o que eu acho é que a única pessoa a ser ilibada de tudo isto seria o desgraçado do ladrão da ourivesaria, mas desenganem-se os de consciência justa.
A Fátima Felgueiras vai conduzir a sua campanha como tradicionalmente, dos tribunais para a Câmara.
O Sócrates e os familiares veremos no que dá, mas como os ex-ministros do PSD também têm estado envolvidos em casos como o BPN, parece que o programa do governo é para cumprir.
Acho bem, pena é que tenha que ser em dois mandatos, sem terem feito grande coisa no primeiro, exceptuada a honrosa tentativa de se esconderem por trás de uma crise mundial. O que isso deu não foi criminalidade e insegurança no país, foi e será sim falta de confiança, desespero que vem à tona de água em casos como o de Castelo Branco. Seria isto uma agravante? Talvez, mas a atenuante virá com votos e mais votos, o povo todo vota de consciência.
A minha pena máxima será ver o povo a dar-lhe maioria absoluta. Parece que quem começa tem que acabar, obra feita ou não. E assim quem cumprirá pena será não só o ladrão, que é para aprender, será também o país, que nunca aprende! Até porque o ladrão deve ter sido empurrado para isso. Especulo, talvez pela crise, falta de emprego, tudo numa situação de desespero, que o levou a roubar, com violência. Já quanto à gula e abuso espelhados nos outros dois casos... não há violência, logo é furto.
Podia era tentar dizer que contra a moral e consciência colectivas também se podem cometer actos violentos, como os que nos levam a crer que todos os intrépidos corruptos saem impunes.
3 comments:
Tou a ver que temos que nos apressar nas nossas intenções...o país vai de mal a....eu não quero ser pésimista, mas...
beijos
Catana
Sim, acabei de fazr tb um Blog....vão lá espreitar!
Catana
Pois é, e isto ainda mereceu um belíssimo comentário do Mário Crespo, vide o rosário do faz-de-conta em http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=M%E1rio%20Crespo
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