
A família tinha toda uma tradição no negócio dos transportes marítimos. Por isso não é de admirar que a sua primeira tentativa de independência, aos 25 anos e financiada pelo pai, tenha sido nessa área. Três anos depois resolveu mudar de ares. Saiu da Grécia e foi parar a Luton. A ideia era “convencer as pessoas a voarem de Luton para Gatwick (e vice-versa) por 29,99 libras”, afirma Stelios. Foi assim que nasceu a EasyJet. um conceito novo na Europa que depois se traduziu num novo segmento, o das low cost. No entanto Stelios não reclama para si a criação do conceito. Segundo este executivo, ele próprio teve a ideia depois de ir aos Estados Unidos. O modelo low cost da EasyJet foi baseado na companhia norte-americana Southwest Airlines, mundialmente conhecida como a primeira low cost.
Há medida que as pessoas se habituavam à ideia (principalmente a certeira) a companhia aérea ganhou sucesso e começou a voar para outros aeroportos. No entanto Stelios só se apercebeu da importância da EasyJet quando, em 1998, a British Airways criou uma empresa semelhante: a Go Fly. “Nessa altura soube que tinha uma marca vencedora”, afirma. O projecto não teve grandes resultados e acabou por ser adquirido, em 2002, pela empresa que queria destronar.
Quando decidiu ir para a bolsa de valores (Stelios alienou 60% do capital da EasyJet) o magnata tomou aquela que considera ser uma das suas decisões mais acertadas: manteve a marca Easy na sua empresa privada.
Sobre o nome Easy, Stelios afirma que não foi fácil chegar á selecção final. A tradição manda que a empresa tenha o nome do proprietário. Mas para o executivo o nome Stelios Air ou Haji-Ioannou Air… não soava bem. Aliás, a primeira coisa que fez quando chegou a Inglaterra foi adoptar, sempre, o nome de Stelios. Como relembrou o evento, o sobrenome era impronunciável.
Mas a sorte nem sempre sorriu a Stelios. Quando questionado sobre o seu pior erro a resposta foi imediata: quando no início do século decidiu criar uma rede de cibercafés. “Queria criar uma espécie de McDonalds, mas com internet.” Mas o momento escolhido não foi o melhor. Estava-se no auge da bolha (a crise deu-se imediatamente a seguir) e “crescemos demasiado rápido, fomos para demasiados países”. Resumindo, “perdemos o controlo”, constata Stelios.
Este erro ensinou a Stelios um valiosa lição. E tornou-o um crente dos benefícios do franchising. E o conselho dado é muito claro: “Se arriscarem, assegurem-se de que, caso corra mal, conseguem lidar com isso e recuperar.”
Mas Stelios não é de ficar parado durante muito tempo. Rapidamente entrou no negócio dos autocarros e depois nos cruzeiros, sempre tendo como base o conceito low cost. E procurou utilizar as mesmas estratégias. Por exemplo, no início da EasyJet a fuselagem dos aviões estava pintada com o número de telefone e o endereço do site da empresa. E funcionou. O mesmo aconteceu com os autocarros. Mas, em relação aos cruzeiros a reacção foi diferente. As pessoas não aceitavam esse tipo de publicidade.
Quando questionado sobre a origem do seu sucesso Stelios teve uma resposta rápida: “gosto do que faço”. E se não gosta do que está a fazer rapidamente pára e muda de abordagem. Além disso, o magnata considera que o trabalho deve ser algo agradável. E afirma que a criatividade, tão essencial à sobrevivência dos negócios, se obtém pela prática, pela experiência. “Acredito que não há substituto da experiência e erro”, afirma. O chamado “Try and Error”.
História de um grego persistente
Stelios Haji-Ioannou nasceu a 14 de Fevereiro de 1967, na Grécia. Apesar de ter estudado inicialmente no seu país de origem, resolveu tirar a licenciatura em Londres, no London School of Economics. Também andou no City University Business School, onde tirou o MSC em Shipping Trade and Economics. Influência do negócio de família. Além disso o magnata também possui três doutoramentos honorários da Liverpool John Moores University, Cass Business School City University e Cranfield University.
Stelios Haji-Ioannou nasceu a 14 de Fevereiro de 1967, na Grécia. Apesar de ter estudado inicialmente no seu país de origem, resolveu tirar a licenciatura em Londres, no London School of Economics. Também andou no City University Business School, onde tirou o MSC em Shipping Trade and Economics. Influência do negócio de família. Além disso o magnata também possui três doutoramentos honorários da Liverpool John Moores University, Cass Business School City University e Cranfield University.
A sua primeira experiência como entreperneur deu-se quando tinha apenas 25 anos. Foi quando decidiu avançar para o mundo dos transportes marítimos, seguindo as pisadas do pai. Mas foi com a EasyJet (empresa criada aos 28 anos) que ficou conhecido no meio empresarial. Depois disso novos projectos surgiram. Ao todo o magnata á esteve envolvido em mais de 17 negócios, (quase) todos sob a alçada do marca Easy. Aliás, Stelios afirma que actualmente o seu trabalho é mais o de gerir a marca criada e estar atento a novas oportunidades.
Alexandra Costa / Sentido das Letras
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