Estas linhas são o meu direito de resposta e indignação. O povo Irlandês fez o mesmo, e para muitos personificou a moral de todos os Europeus. Pelo menos para já, valeu por tantos. E atentem nisto: se a Irlanda estiver disposta a saír da Europa ou ficar de lado no processo porque é um país pequeno, ou pior, se as alminhas que o pedem o conseguirem, então PARABÉNS MINHAS PÁRIAS INCONSCIENTES, CONSEGUIRAM MINAR TODA A CREDIBILIDADE DO PROJECTO!!! Se isto pode seguir sem um dos seus melhores elementos, se as questões comezinhas são preponderantes apenas quando não falamos de países como a França, o Reino Unido ou a Holanda, então que rol andamos a apregoar?!
Após a confirmação de que o Tratado de Lisboa vacilou na Irlanda, acho que poucos foram os sensatos que como essencial disseram Pois bem, faça-se um período de reflexão, que resulte em informação. A verdadeira crise é de democracia. É a justificação do processo de construção europeu que foi uma vez mais colocada em causa.
A Europa não cessa quando Bruxelas fecha a torneira dos subsídios e dos fundos. A regulação europeia trouxe mais à qualidade de vida dos europeus do que nos é feito crer a nível nacional. Com a globalização, a raison d'être deste processo tornou-se a paz e a robustez económica e social numa importante área do mundo. Em Portugal, ainda que estejamos abaixo, o esforço de nivelar é sempre útil.
Anuncio tudo isto porque tenho que mostrar o meu cepticismo masoquista de europeísta convicto. Lê-se no Público de hoje, em palavras de Rui Tavares supostamente citando o Eurodeputado Miguel Portas, que deveria ser o Parlamento Europeu a tomar poderes de assembleia constituinte, e num concerto com os Parlamentos nacionais preparar o novo Tratado. Não posso deixar passar esta ideia de que uma assembleia como o PE mereça tais poderes. Então mas o PE não era a Câmara constituída por aqueles que por uma ou outra razão trazem votos aos partidos políticos num único momento que é o do plebiscito europeu? Não era visto como o exílio das listas de notáveis e figurantes adjacentes que uma vez exilados pouco ou nada falam com quem os elege? É que eu acho que não é sempre assim, as excepções confirmam a regra, mas acho que no fundo a verdade verdadinha é esta: não podemos no estádio actual da UE esperar que uma assembleia cuja representação é tão dispersa venha a lograr obter um mecanismo que funcione correctamente e se imponha legitimamente. Perante uma mol que não os admite senão como um punhado de gente que representa e reconhece mal o que se passa na profunda floresta de Turkü ou em Trás-os-Montes. A coisa não passará. Apesar de me ter surpreendido com o excelente trabalho que se faz em Bruxelas, acho que vai ser muito díficil termos o Le Pen e o Ari Vatanen bem informados o suficiente para concordar ou garantir em quem por eles se representa que agora sim, podem aceitar esta lista infindável de excepções ou acreditar piamente na boa legislação votada com as novas maiorias qualificadas.
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