Vi as entrevistas com a Judite de Sousa aos dois candidatos que mais credibilidade supostamente terão: o Pedro Passos Coelho, e claro está, a ex-ministra das Finanças. Eis a impressão que me deixam.
Apesar da condução da entrevista não ter sido eximiamente guiada pela jornalista, a ex-ministra vem com os mesmos laivos do passado, tem dificuldades em deixar-se saír do plano austero e por vezes autoritário. Quem não estime este tipo de pessoas depressa verá nela uma pessoa arrogante. Não é com vinagre que se apanham moscas. E no final pouco sumo extraíu, senão os pecadilhos combatidos que têm sido o centro da sua campanha. Para gerar credibilidade vai ter que pedir aos militantes que confiem nela, e mais ainda, que façam dela a futura chefe de governo. Compete ao PSD eleger o seu líder e compete ao PSD entregar o líder ao país.
Passos Coelho com o seu discurso de novo, que traz novidade, falou de maneira clara, expôs mais temas na mesa e deu a sensação de querer abrir outras frentes de combate. Mas nesta arte do mediático, Passos Coelho tem o espectro do outro Pedro, o Santana Lopes, que sempre deu a cara nos media, nunca teve medo de falar, até que começou a falar demais, e sempre mais, e tiveram que o calar. E este medo fundamento-o numa interjeição muito breve: a jornalista pergunta-lhe quem merece a sua preferência nas eleições nos EUA e ele diz que Obama, mas só depois de afirmar que não é sua intenção interferir nos assuntos internos norte-americanos. Devo ter ouvido mal. Afinal Passos Coelho ainda disse que não se compara a Obama porque os países não se comparam, e no final um candidato a putativo PM de Portugal diz "interferir"? Acho que ele queria dizer comentar ou opinar. Pois eu comento: podemos estar perante um fenómeno de preparação para a campanha, mas quando tudo se mexer ao mesmo tempo, veremos se há sensibilidade e bom senso.
Da equilibrada combinação dos dois teríamos a oposição construtiva a Sócrates. Ah, uma oposição é sempre construtiva: obriga o Governo a pensar, chama-lhe a atenção para coisas que foram negligenciadas, portanto também governa.
E aos candidatos diria: Passos Coelhos espera só um bocadinho. Tudo indica que podes chegar lá. Sra. Ex-Ministra, seja mais condescendente, e todos nós condescendemos mais facilmente também.
Nele não votaria, nela não me revejo. E ninguém de melhor se apresentou.
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