Sunday, June 04, 2006

Portugal, um barco de piratas

Eu percebo-te Zorze, o nosso país tem que mudar o rumo. Eu faço esta comparação: se fôssemos um barco de piratas
1- o Medina Carreira estava lá em cima a gritar que tinhamos terra à vista mas que o barco se afundava antes porque toda a gente queria estar a passear pelo convés enquanto o barco metia água pela galé,
2- o Marcelo Rebelo de Sousa à proa com o binóculo a dizer que estávamos a alcançar uma ilha bonita, bem escolhida mas ainda demasiado pequena para o salto que temos que dar,
3- o Cavaco no camarote a anunciar que não podíamos deixar de esquecer a escassez de recursos a bordo e bem geri-los para se quando chegássemos a terra houvessem outros a competir pelos recursos nós não estivessemos nem famintos nem fracos e tivessemos energia suficiente para competir,
4- o Sócrates ao leme a dizer que o Cavaco está certo mas que ele vai simplificar a vida a bordo para aceder à copa e içar as velas (que já estavam a meio içadas) e
5- o Banco de Portugal, o BCE, o Solbes e a S&P a dizer que o barco efectivamente mete muito mais água do que os tão badalados 3% e por isso temos grandes caudais na despensa a arruínar o nosso jantar,
6- o que resulta de deficiências sobajamente sentidas e apontadas, mas nunca cuidadas no casco do navio, digo eu!
Outra bela análise será feita quando os efeitos das vistorias do Cavaco à tripulação surtirem efeito e o Sócrates se aperceber que o leme é mais lento e o barco mais pesado do que aquilo que cria à partida!

2 comments:

Zorze said...

L. Guilherme presenteia-nos com mais uma das obras, fazendo a alegoria do barco de piratas.
Neste texto podemos ver como evoluiu em crescendo a intensidade dramática da lírica Guilhermiana.

Manzas said...

Gostei dessa análise... Já antes te tinha dito que devias dedicar-te às crónicas... Abraço.